Rocha da Relva desce da periferia de Ponta Delgada até uma fajã detrítica formada pela acumulação de materiais na base de uma arriba alta. Ao contrário das fajãs criadas por lava, este pequeno território costeiro nasceu lentamente da erosão da vertente. O seu abrigo, a exposição solar e a proximidade do mar produziram um microclima aproveitado para vinhas, árvores de fruto e pequenas culturas.
O caminho pavimentado é a ligação tradicional entre o planalto e a costa. Um desvio conduz à Rocha do Cascalho, onde adegas, casas e muros de pedra negra organizam parcelas cultivadas. Mais abaixo, a Rocha da Relva reúne casas de veraneio, fontes, um pequeno santuário e construções de apoio agrícola. Burros ainda fazem parte da imagem e da memória do transporte numa encosta onde não existe acesso rodoviário direto. A paisagem é habitada e trabalhada, não um espaço abandonado.
Com 5,6 quilómetros de ida e volta, dificuldade média e cerca de três horas, a experiência tem duas metades muito diferentes: uma descida prolongada que revela progressivamente a fajã e uma subida pelo mesmo eixo. A presença das vinhas, pomares e adegas explica por que este caminho continua importante para proprietários e residentes. Caminhar aqui exige a discrição de quem atravessa um lugar privado de uso quotidiano.