Passagem das Bestas recupera a memória dos antigos caminhos de carros de bois no interior da Terceira. Logo após o estacionamento, o circuito entra num campo de lava irregular e alcança relheiras profundas, sulcos abertos pela passagem repetida das rodas. Uma linha de água e a conduta de uma pequena central hidroelétrica acompanham a entrada num cedral, onde um miradouro rompe a sombra da mata.
O caminho atravessa depois pastagens com vista sobre a Caldeira dos Cinco Picos e sobe ao Morião, ponto alto do percurso. Floresta endémica, os miradouros de Terra Brava e Guilherme Moniz e uma ravina completam a volta até às relheiras iniciais. Pedra, água e vegetação contam aqui uma história conjunta: o relevo vulcânico condicionou a circulação rural, enquanto a floresta e as zonas húmidas ocupam hoje grande parte da caldeira. A rota combina património de trabalho e panorâmicas sobre duas importantes depressões vulcânicas.
Os miradouros de Terra Brava e Guilherme Moniz permitem comparar duas escalas do interior: a mata próxima e a grande depressão vulcânica. Esta dupla perspetiva completa o significado das relheiras, que pertencem a uma rede de circulação adaptada precisamente a esse relevo.