Mistérios do Sul do Pico acompanha a costa entre o Parque Florestal do Mistério de São João e a Silveira. O nome recorda a forma como as populações designavam as escoadas vulcânicas cuja origem ainda não compreendiam. Ao longo da rota surgem testemunhos das erupções históricas de 1718, no Mistério de São João, e de 1720, no Mistério da Silveira. A lava, hoje ocupada por vegetação e caminhos rurais, continua a definir o relevo e a relação entre as povoações e o mar.
O itinerário passa por antigos poços de maré usados para abastecimento doméstico, entre eles os da Baía do Arruda, Ponta do Admoiro, Verdoso e Maré do Rego. A paisagem inclui o moinho da Ponta Rasa, construído em 1949, pequenos Impérios do Espírito Santo e a igreja de São João. Zonas balneares como Ponta do Admoiro, Arinhas e Fonte aproximam o percurso da linha de costa, enquanto caminhos agrícolas e núcleos habitados mostram a continuidade da vida local sobre os campos de lava.
A parte final aproxima-se da Silveira e da igreja de São Bartolomeu. O percurso é linear e fácil, mas suficientemente longo para oferecer uma leitura ampla do sul do Pico: vulcanismo histórico, água captada junto ao mar, património religioso e pequenas áreas de lazer sucedem-se num traçado onde a paisagem natural e a memória comunitária permanecem estreitamente ligadas.