Mata do Canário é uma travessia de 11,7 quilómetros entre as terras altas do maciço das Sete Cidades e a freguesia instalada no fundo da caldeira. O início junto ao Muro das Nove Janelas introduz o património hidráulico da zona: o aqueduto de arcos em pedra atravessa uma paisagem húmida onde nascentes e linhas de água foram aproveitadas para abastecimento.
Depois da mata de criptomérias, o percurso sobe em direção ao Pico da Cruz e alcança a cumeeira. A partir daí, a caminhada ganha uma escala ampla. De um lado surgem a Lagoa Azul, as pequenas lagoas interiores e as vertentes cultivadas da cratera; do outro, em dias limpos, distinguem-se as costas norte e sul de São Miguel. Entre manchas florestais e pastagens, também é possível reconhecer espécies da vegetação natural açoriana nos taludes mais preservados.
A longa progressão pela crista aproxima-se gradualmente do setor percorrido pelo trilho Vista do Rei. O final abandona a altitude e desce pelo caminho dos Arrebentões até às Sete Cidades. Esta mudança, das infraestruturas de água e floresta do planalto para a povoação junto à lagoa, resume a diversidade do itinerário. A dificuldade média e as cerca de três horas previstas refletem a distância, a exposição da cumeeira e a descida final, não uma passagem técnica.