O circuito da Lagoa das Furnas percorre 9,4 quilómetros entre o centro da vila e a margem de uma caldeira onde vulcanismo, jardins e vida quotidiana permanecem próximos. A partida na zona das Três Bicas passa pela igreja de Santana e pelas imediações da Poça da Dona Beija antes de ganhar altura no Pico do Milho. Deste setor, o vale das Furnas revela a lagoa, as encostas florestadas e o povoamento instalado dentro do antigo vulcão.
Junto à água, o percurso aproxima-se da Capela de Nossa Senhora das Vitórias, construída por José do Canto, e do centro de interpretação ambiental. Araucárias, jardins e esculturas introduzem uma paisagem deliberadamente plantada, distinta da mata das vertentes. Na extremidade oposta, as caldeiras e fumarolas evidenciam a atividade geotérmica; é também nesta zona que panelas de cozido são enterradas no solo quente, ligando o fenómeno vulcânico a uma tradição culinária.
O regresso à vila completa um circuito fácil, estimado em três horas, no qual os pontos naturais e construídos se sucedem sem perder a unidade da caldeira. A lagoa é simultaneamente ecossistema, cenário histórico e espaço de lazer. Troços de estrada e áreas com regras próprias exigem atenção, mas a distância permite uma leitura demorada da forma como Furnas transformou a presença de água e calor subterrâneo numa paisagem cultural singular.