Arquitetura da Água I liga o relevo vulcânico do interior à história da gestão de água na Graciosa. A partida junto à Caldeirinha de Pêro Botelho apresenta uma pequena cratera com um algar profundo, introduzindo a capacidade da lava para criar cavidades e condicionar a infiltração. O percurso aproxima-se depois do Pico Timão, que atinge 398 metros e está associado à erupção mais recente reconhecida na ilha.
Ao descer para a Praia, a caminhada encontra tanques, cisternas, lavadouros, chafarizes e antigos tubos de barro. Estas estruturas revelam as soluções adotadas numa ilha onde a disponibilidade de água exigiu armazenamento e distribuição cuidadosos. Perto do litoral, um poço de maré e vestígios ligados à antiga fábrica de telha acrescentam usos diferentes do mesmo recurso. O Ilhéu da Praia, importante para aves marinhas, domina a vista final, junto à zona balnear. A rota é, assim, uma travessia entre geologia, engenharia quotidiana e costa, mostrando como as comunidades adaptaram o povoamento às condições naturais.
A chegada à Praia completa a narrativa iniciada no interior: a água armazenada e distribuída encontra uma última expressão no poço de maré. Entre a cratera e o litoral, o percurso mostra soluções ligadas a condições muito diferentes de relevo e salinidade.